De entre os carros notáveis da coleção de Ralph Lauren, o humilde Jeep CJ-5 de 1976 acompanha a família em quase todas as ocasiões durante meio século
Por Tyler Thoreson
Nas últimas décadas, Ralph Lauren acumulou uma das maiores coleções de automóveis do mundo, mas um dos seus primeiros carros foi um Jeep CJ-5 branco de 1976, que comprou com Ricky para as estadias junto à praia. Atualmente, os estacionamentos estão repletos de carrinhas com pneus grandes que talvez nunca saiam da estrada, mas há 49 anos, era pouco frequente ver-se um 4x4. E um CJ-5, que tinha sido há pouco considerado um verdadeiro veículo utilitário, era ainda mais raro. "Não se viam de todo", afirma Ralph. "Era algo interessante, mas muito raro". E não era fácil de conduzir. "Eu não sabia conduzir um automóvel com mudanças manuais", lembra Ricky, muito menos um tão difícil de manobrar como um trator. Mas não tardou em levar as crianças até ao supermercado para comprar alimentos e livros de banda desenhada e em conduzir até East Hampton, como recorda Dylan, "para encontrar a nova boneca Barbie". "Foi nele que, aos 8 anos, vi o Grease e o Star Wars nos cinemas drive-in", acrescenta David. Mas ninguém gostava mais do Jeep do que o cão da família, Rugby. "Assenhorava-se da parte de trás", diz Dylan. "Às vezes, o meu pai tinha de fingir dar uma volta com o Rugby, durante só dois segundos, para que ele sentisse que tinha ido passear."
Na época, Ralph também tinha um Mercedes 280 SE Cabriolet de 1971 — o "automóvel da empresa", utilizado na cidade — e, em 1979, comprou o seu primeiro Porsche, um 930 preto modificado pela RUF. "O Jeep tinha um uso diferente, era utilitário e divertido", afirma Ralph. "É como um par de calças de ganga ou uma camisa branca de malha com um jogador de polo estampado. Tem a mesma sensibilidade." Também foi fabricado para trabalhar arduamente e para durar. "Lembro-me dos nossos pais ao volante", diz Andrew, "e Dylan, David e eu, em trenós, a deslizar alegremente pelas estradas secundárias de East Hampton enquanto eles circulavam pela neve em veículos com tração às quatro rodas". Ao longo dos anos, independentemente da estação, o Jeep continuou, simplesmente, a funcionar. "Sofreu amolgadelas, ficou enferrujado, cheio de areia e exposto a furacões", acrescenta David, ainda incrédulo. "Parecia um automóvel mágico. Podia estar a nevar e a congelar no aeroporto em Montauk, entrávamos e, de repente, o carro ganhava vida. Todos aplaudíamos!"
Em 2010, porém, ao fim de mais de 30 anos exposto à areia e ao salitre, o Jeep precisou de um cuidado especial. A carroçaria estava enferrujada em vários pontos, o interior apresentava sinais significativos de desgaste e outros componentes precisavam de ser reparados ou substituídos. (O motor, no entanto, funcionava na perfeição.) Foi então que Ralph decidiu restaurar o automóvel. Como seria de esperar, nenhum detalhe foi descurado. Os bancos foram enviados para um especialista encarregado de replicar os padrões do estofo original e, quando se descobriu que a carroçaria substituta não tinha o logótipo "Jeep" em relevo, a equipa retirou-o da original e aplicou-o na nova. Ralph, como seria de esperar, queria ter a certeza de que a restauração não despojaria o Jeep do seu caráter. "Não quero que pareça novo em folha", disse a Mark Reinwald, que dirigiu a restauração. Assim, aplicando pintura mate e peças sobresselentes cuidadosamente escolhidas, Reinwald e a sua equipa recuperaram um estado de conservação perfeito. Agora, o Jeep recebe o tipo de atenção reservado aos companheiros de garagem mais exóticos. Ao conduzir por Montauk, diz Dylan, são muitas as "pessoas que levantam o polegar e fazem sinais de luzes quando se cruzam com o Jeep. Isto seria de esperar com um Ferrari ou um dos outros carros de corrida raros, mas é apenas um Jeep, não é?" "Agora, as pessoas pedem-me para parar", diz Ralph. "Querem saber se o quero vender." Sorri. "A resposta é não. Não vendo particamente nada."
Tyler Thoreson is former editor in chief of Ralph Lauren Digital.
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